Estudo de causo

Crônicas que rompem a barreira entre linguística e literatura

Paulo Damin
122 páginas
2025

R$44,90


Um estudante de Letras sai de Porto Alegre em direção a Caxias do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, para fazer sua pesquisa em variação linguística. Ele encontra o Treze, que vai contando seus causos cheios de carisma, tensão e trapalhada. Uma viagem pro Uruguai e outra pra carnear um porco. Histórias de namoro, briga de casal e traição. Tem gaiteiro cego, garrafão de vinho e, óbvio, muita bergamota.

Então o estudante liga o seu gravador para registrar as marcas de oralidade, mas as coisas não saem como o planejado. Ele não respeita a distância do objeto de estudo, pega no pesado como ajudante de pedreiro e se mistura na história.

Veja aqui o que acontece quando se quebra a barreira entre linguística e literatura.


“Esta, como toda orelha, é instigada pela língua. Não exatamente o contato úmido que alguém imagina, mas a língua falada. Pensa por um momento se não é a fala o que mais acaricia o teu ouvido. Eis o interesse desta obra. E o amor, mas não o carnal, senão o verbal. O amor à língua. Amor de toda orelha. Amor da literatura. Amor que só a personagem de um linguista poderia representar tão bem. Pois não há histórias de amor maiores do que as impossíveis, nem mais dramáticas do que os desenganos. E aqui é contada a fatalidade acadêmica do estudioso que, em seu garimpo de dados formais com uma peneira fonológica, se rende à beleza literária das ferramentas narrativas. Contudo, essa história está nas entrelinhas. Entre as tábuas de um galpão que é construído junto com a pesquisa. O que tu vai ler, na verdade, são as histórias registradas pelo linguista que, tímido, pouco se mostra, dando lugar à variação particularíssima do entrevistado. As histórias interioranas e vívidas, não menos apaixonadas, porém sim mais histriônicas, do sujeito da pesquisa. Mas revelo demais, pode me repreender. Me puxar, se tu julgar necessário, que é a segunda função da orelha, e passa direto à leitura dos causos do Treze, o sujeito que vai logo se apresentando.”

Augusto Quenard


Paulo Damin estudou letras na UFRGS e na UFSC. Este é seu primeiro livro. Depois ele publicou outros, como Adriano Chupim (2021) e A lenda do corpo e da cabeça (2025).