Águas turbulentas [PRÉ-VENDA]

Memórias de um homem pardo e bi sobre seu processo de racialização e entendimento da sua sexualidade.

Eduardo Cazon
92 páginas
Lançamento dia 23/10/26
Previsão de entrega para Novembro

R$50,00


Perdido no limbo racial por ser pardo e navegando as cegas na invisibilidade bissexual, o autor reconstrói sua humanidade ao unir pedaços de uma memória fragmentada pelo trauma. Nascido em Piracicaba, cresceu em uma família miscigenada como tantas outras pessoas. Frequentou a igreja católica, sofreu bullying na escola, saiu do interior e foi para uma capital. Após anos de terapia, conseguiu acessar memórias que tinha bloqueado e agora apresenta um testemunho que nos convida a inventar uma forma de narrar a própria história com integridade e orgulho.


TRECHO DO LIVRO

“Ricardo: Você poderia falar mais sobre como foi o seu processo de descoberta, tendo essa consciência de ser um homem negro bissexual? Se você teve apoio. Quais foram os desafios? Os medos?

Eduardo: Cara, eu acho que é muito marcado pela falta de apoio. Acho que é muito marcado por um espaço de solidão e de exclusão. Eu me entendi um homem negro recentemente. Então o processo de me identificar como pardo, como uma pessoa negra de pele clara é algo bem recente. Para mim, isso diz de um lugar de exclusão. Dentro dos espaços com a maioria branca, eu era uma pessoa de pele escura demais e dentro de um espaço de pessoas que tinham a pele retinta, mais escura, eu era branco demais. Então nesse jogo das raças eu era excluído. E aí na questão de sexualidade também, porque no grupo de amigos héteros eu era sensível demais. E no grupo de amigos gays eu era hétero demais. Então eu fui caminhar mais por esse lugar da solidão.”

***

“Acredito que narrar as piores histórias da infância seja uma boa habilidade. Relembrar os traumas é fonte eterna de dor, pois a ferida nunca fecha, porém agora é diferente, retorno às cenas de violências para identificar agressões e me diferenciar delas. Espero que meu testemunho contribua para que outras pessoas revejam suas histórias e consigam se afastar do perigo.”


Eduardo Cazon nasceu e cresceu em Piracicaba, no interior de São Paulo. Foi vendo as exposições do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, que descobriu ser possível viver sua paixão por artes gráficas. Estudou design na UFSC, onde se encontrou no desenho de letras, capas e miolos de livros. Gostaria de ter mais tempo para ler livros, além de fazê-los, mas fica feliz por ler sempre que dá.

É autor do livro Tipografia e política (Insular, 2023) e semifinalista do Microconto de Ouro 2025 com o texto “Sotaque fraco”.